
Zeus e os amigos. Dia 13 | 15.09.2025 | Salónica - Atenas - Lisboa
- Luis Bernardes
- 2 de out. de 2025
- 3 min de leitura
E chegámos ao último dia. Tínhamos uma tarefa. Comprar um saco. Em Atenas comprámos uns bastões para as caminhadas. Em boa hora o fizemos. Problema. Eu só levei uma mochila para esta viagem. A Margarida tem uma mala pequena. Não davam para o tamanho dos bastões. Solução: enviar os bastões no porão. Não dava para passar no check-in connosco. Ficariam em Salónica, com certeza.
Mesmo ao pé do nosso hotel procurámos e rapidamente encontrámos uma loja do chinês. No andar de cima era um mundo de malas, sacos, mochilas. Encontrámos o saco perfeito. Barato, como convinha e com tamanho suficiente para os bastões. Nove e meia da manhã, estava o problema resolvido.
Último dia é sempre estranho. O avião era só às 6 da tarde. Para o aeroporto são 25 minutos de Uber. Tínhamos umas boas horas para mais umas voltas pela cidade.
Ora então o que fazer? Muito eu tinha pesquisado para decidir o que fazer neste último dia. Li que o Museu de Cultura Bizantina era muito bom. Ao lado também há muitas referências ao Museu Arqueológico de Salónica.
Basicamente são no fim da imensa Avenida Egnatia, que fiz tantas vezes. Uns 4 quilómetros em linha reta. Para não fazer sempre a mesma avenida, optámos pela avenida paralela. Tsimiki Ioanni.
O calor andava perto dos 30. Sempre a fintar o sol e em passo lento fomos caminhando e apreciando a arquitetura da cidade, observando um dia de semana de trabalho. Era também o primeiro dia de aulas.
Fomos dar a uma pastelaria que mais parecia uma galeria de arte. Com verdadeiras peças de arte e, também, doces que pareciam peças de arte. De nome Blé. Se forem a Salónica, não deixem de ir à Blé. Vale a pena e tudo o que se vende aqui tem um aspeto de ser muito bom.
Já estávamos perto. Passando pela Hagia Sofia, nesta segunda-feira de manhã, saíam imensos sacerdotes e gente bem vestida. Sem dúvida, uma cerimónia religiosa, bem cedo, aconteceu aqui. Os religiosos saíam apressadamente. Em pequenos grupos. Apanhavam táxis, desapareciam rapidamente pelas ruas, outros sentavam-se nas esplanadas para descansar o espírito e aquecer o estômago.
As pernas já perguntavam quando é que chegamos. E chegámos. A decisão foi pelo Museu Bizantino. Boa aposta. O museu é recente, feito por quem sabe. Tem uma app que dá para ouvir com phones. Um phone para a Margarida, outro para mim. A exposição tem peças que são autênticos tesouros. Tudo muito bem exposto e que retrata a vida, a cultura dos bizantinos por estas terras. Tesouros com muitos séculos, moedas, setas, túmulos irrepreensivelmente preservados, quadros fantásticos.
Uma hora depois estávamos mais ricos. Valeu a pena. Agora era necessário regressar. O almoço estava combinado com o Luis. Um dos que ainda por aqui permaneciam. Sem coragem para mais caminhadas, voltámos de táxi.
Último almoço por estas terras. Conversámos sobre a viagem, sobre outras viagens feitas, sobre viagens a fazer. Despedimos-nos do Luis. Só mais uma voltinha pela Egnatia. Desta vez para o lado que ainda não tínhamos ido.
Pouco mais de duas horas antes do voo, pedimos o Uber. Estava a dizer à Margarida que quase não tinha visto Teslas por estas terras. Literalmente, no segundo a seguir um Tesla parado. Um Uber. Chamo o Uber… e era mesmo aquele. O condutor estava na loja em frente a comprar uma capa para o telemóvel. Pediu para esperarmos um minuto. Sem problema. Bem, achou que estava a demorar muito tempo na loja e rapidamente voltou.
Falava um bom inglês. Perguntou de onde éramos. Portugal foi a resposta. Estamos sempre à espera de que digam Ronaldo! Aqui na Grécia não. A resposta é:
- Gostamos muito de Portugal. Ganhámos o Europeu de futebol, em 2004, em Portugal.
E ainda por cima com um grande sorriso na cara. Sim, eu lembro-me bem. Estava no estádio e paguei o bilhete mais caro que alguma vez paguei no futebol.
A conversa continuou na bola. Este sabia tudo. Falámos do avançado do Benfica, o grego Pavlidis. Mas ele sabia bem mais do que eu. Disse-lhe que era mais ou menos. Marca poucos golos. Discutimos o número de golos e foi, a conduzir, ao seu enorme écran do Tesla, pesquisar, no transfermarkt, quantos golos tinha marcado na época passada. Para minha surpresa, parece que foram 30. Tive de engolir. Mais umas conversas sobre o Paok e estávamos no terminal 2. Check-in feito para os bastões e à hora prevista embarcámos no voo A3722 que nos ia levar até Atenas, em 38 minutos. Em Atenas, foram duas horas de espera e quatro horas depois aterrávamos em Lisboa.
A Zeus e amigos, muito obrigado por me acolherem nas vossas terras. À Filipa, Margarida, Mafalda, Susana, Susana, Agnès, Luísa, João, Luis, obrigado pela companhia.
Até já.
























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