Zeus e os amigos. Dia 03 | 05.09.2025 | Atenas
- Luis Bernardes
- 8 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 2 de out. de 2025
Motas. Atenas está cheia de motas. Novas, velhas, quase todas scooters. Até algumas abandonadas têm os bancos esventrados a cumprir a função de caixotes de lixo. É uma boa cidade para andar de mota e ajudam a fintar o trânsito intenso do dia a dia. Um dia voltarei e espero alugar uma mota para vaguear pela cidade ao sabor do vento.
Este foi, verdadeiramente, o primeiro dia em que começamos o programa da viagem. Às 09:00 já estávamos na Praça Syntagma para nos juntarmos à nossa guia local para um passeio pela cidade. Objetivo conhecer alguns bairros atenienses e ter uma perspetiva de um local.
A nossa guia Adónis, é nascida e sempre residiu em Atenas. Vai mostrar-nos a cidade de uma perspetiva diferente. Não vai debitar nomes, números e factos da história de Atenas mas sim a visão da Atenas de hoje.
Começámos por descer à estação de metro da Praça Syntagma. Esta moderna estação foi construída para que a cidade pudesse acolher os visitantes dos Jogos Olímpicos de 2004. Toda a cidade sofreu uma grande transformação das suas Infraestruturas para que estivesse preparada para este evento.
O interessante desta grande e moderna estação são as obras de arte expostas e algumas das relíquias do passado que aqui foram encontradas e que de uma forma inteligente foram deixadas para que todos as pudéssemos ver.
Subimos e ficámos junto ao Parlamento. Este edifício começou por ser o Palácio Real do rei Otto da Grécia, a partir de 1843. Após a abolição da Monarquia, deixou de ser usado e em 1935 foi convertido para o Parlamento grego.
É aqui que também é o monumento ao soldado desconhecido, que já referi.
Os guardas têm uma farda cheia de simbolismo. A boina é vermelha. Representa o sangue derramado pelos militares gregos. A boina tem também uma cauda preta. Essa cauda comprida representa as lágrimas derramadas por essas mortes. As botas, muito peculiares, têm um pompom na biqueira e que serve para esconder uma navalha afiada para atacar os inimigos. A sua sola tem metal para que, na coreografia feita no render da guarda, se reproduzam os sons de cavalos a cavalgar. Muito mais explicações existem para outros pormenores da farda.
Seguimos para o bairro Kolonaki. O bairro dos abastados de Atenas. É aqui que a alta sociedade de Atenas vive. Nota-se imediatamente pelas residências, muito menos trânsito e os cafés a lembrar Paris.
Mesmo no inverno as esplanadas estão montadas e cheias de residentes. Objetivo ver e ser visto. Por aqui, noutros tempos a língua “oficial” era o francês. Ainda hoje existe uma famosa residente do bairro, com mais de 90 anos, que passeia diariamente com o seu cão e que fala aos passantes metade em grego metade em francês.
Neste bairro restam ainda algumas casas dos tempos em que era um bairro pobre. São mesmo muito poucas e chocam pelo contraste.
Passamos para o bairro Exarchia. O bairro anarquista. Não podia ser maior o contraste. Famoso pelos seus protestos ao longo de décadas e que teve mais alguns episódios duros durante a crise da bancarrota da Grécia no seguimento da crise financeira que se iniciou nos Estados Unidos - em 2008 - e que se alastrou para o resto do mundo. Na Grécia a crise foi particularmente dura para a população e muitos dos protestos tiveram aqui origem.
Muitos grafitis do jovem de 15 anos que foi morto pela polícia e também de um jovem turco que fez parte das manifestações. Foi em dezembro de 2008, neste mesmo bairro, que o jovem Alexandro Grigoropoulos foi atingido por uma bala. A memória continua bem presente e anualmente a sua memória é recordada.
Sente-se a “carga” que este bairro continua a ter. A polícia continua a não ser bem-vinda, bem pelo contrário, raramente aqui entra.
As ruas estão todas grafitadas e com muitas mensagens de protesto.
Hoje muitas também contra a guerra em Gaza. Várias habitações estão desocupadas, mas essa é uma característica que também existe em outros bairros.
Era hora de desanuviar e depois de passar pelo mercado da carne e do peixe almoçámos num restaurante frequentado por locais, mesmo já junto ao mercado das frutas e vegetais. Curioso vi à venda uvas muito pequenas, tal como havia antigamente em Leiria.
A volta pelos bairros de Atenas, com a Adónis, estava a terminar. Na Praça do “nosso” bairro de Monastiraki.
O calor esse cá continuava. Hora para regressar ao hotel, descansar e seguir um pouco mais tarde para a primeira visita ao passado da Grécia.
Junto ao bairro Monastiraki ficam as ruínas da Ágora de Atenas. Local que era o “coração” da política, administração, comércio, religião, pensadores e muito mais.
Ainda existe um edifício idêntico ao Parténom - Templo de Hefesto - em muito bom estado de conservação e um grande edifício reconstituído que hoje serve de museu com peças e imagens da história deste lugar.
Perto e subindo a colina, fomos contemplar uma vista privilegiada sobre a magnífica Acrópole e toda a cidade de Atenas que se estende pelo horizonte. Pelo caminho ainda tivemos a surpresa de assistir à partida do Rally da Acrópole de carros antigos. Ainda deu para ver o mítico Delta Integrale HF Turbo.
A vista sobre a Acrópole e sobre a cidade é soberba. Sem nuvens e com um sol lindo deu para umas boas fotos.
Descemos e fomos até ao bairro Plaka. Bairro ultra-turístico. São as ruas que dão para a Acrópole e estão cheias de lojas e restaurantes. Mas, mesmo sendo repleto de turistas está muito bem preservado e com centenas de restaurantes com muito bom ar e com a traça grega.
Depois de jantar foi o regresso ao hotel e o dia estava feito. No dia seguinte tínhamos a Acrópole para visitar e ainda antes da hora de almoço e 300 km para fazer até Kalabaka, onde estão os mosteiros de Meteora.
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