Zeus e os Amigos
- Luis Bernardes
- 6 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 2 de out. de 2025
Dia 01| 03.09.2025 | Atenas
Recentemente decidi fazer uma nova viagem com a Nomad. Depois da viagem, de uma vida, ao Irão, em 2024, o destino escolhido foi a Grécia. Nunca vim à Grécia. Era hora de conhecer.
Desafiei a minha amiga Margarida, super batida em viagens Nomad e que conheci na viagem ao Irão. E, pois, está claro, aceitou. Os restantes colegas de viagem irei conhecer amanhã.
A saída de Lisboa estava marcada para as 11h:00. Também coincidia com o primeiro dia de greve de alguns trabalhadores do aeroporto. Mas tudo tranquilo. O avião da Aegean - chegou a horas e chegámos a Atenas a meio da tarde, como previsto.
Muito fácil sair do aeroporto e apanhar um táxi. Dá para simplesmente apanhar nas chegadas ou podemos pedir um Uber ou FreNow. Também podemos facilmente apanhar metro ou autocarro.
De carro são cerca de 40 minutos. Para surpresa minha, o tão famoso trânsito caótico de Atenas deve estar ainda de férias. Até ao hotel tudo tranquilo e quase todo o percurso feito em autoestrada - de 3 vias - e impecável.
O condutor falava um inglês muito aceitável. Tem 62 anos, tirou o curso de gestão, mas a vida lá se encarregou de torná-lo condutor de táxi. Mas não se queixou. Pelo contrário. Queixou-se sim dos impostos e do custo diário que tem com o aluguer do táxi. Há 40 anos foi a Portugal e adorou. Ainda se lembra dos restaurantes de peixe e de Cascais.
Foi uma viagem animada. Nos 40 minutos até ao Evripides Hotel, não nos deu um segundo de descanso. Muito curioso e simpático, quis saber tudo o que íamos fazer na Grécia e aprovou os nossos planos.
Cinquenta e três euros depois chegámos ao destino. Saímos do táxi e deu para sentir os 35 graus de Atenas. Hotel simples, mas tudo ok. Tem um rooftop com vista para a Acrópole. Hotel situado no bairro Monastiraki.
Para começar, como deve ser, contemplámos a Acrópole na companhia de um copo de branco grego. Podia estar mais fresquinho, mas cumpriu a sua missão.
Chega de Hotel. Vamos, mas é conhecer esta cidade. Quase ao virar da esquina começámos a sentir Atenas. Primeiro pelo bairro Monastiraki, Psyri e depois Syntagma. Isto tudo significou chegar à 1 da matina ao hotel, ainda com quase 30 graus a fustigar-nos.
Rapidamente chegámos ao coração de Monastiraki.
A Praça principal está rodeada por prédios, uma igreja ortodoxa, um grande centro comercial, uma estação de metro e vários restaurantes. Praça bastante animada. Desta Praça rapidamente chegamos à Praça Syntagma, à Feira da Ladra cá do sitio, à Biblioteca de Adriano e à Ágora Ateniense e à Ágora Romana.
Ainda era cedo para jantar. Eram quase 8 da noite, nas o nosso relógio biológico ainda “marcava” 6 da tarde. Primeiro, pela “Feira da Ladra”. Pouco interessante. Fomos dar juntinho à Ágora Ateniense. Percorremos a rua com restaurantes de um lado e as ruínas da Ágora do outro.
Fomos vagueando na Direção da Praça Syntagma e passando novamente pela Praça Monastiraki. Estas ruas estão inundadas de lojas de recuerdos, restaurantes, gelatarias. Tudo para inglês ver.
O sol já se tinha despedido. O calor, esse, quis ficar. Perto das 9 da noite e estávamos com quase 30 graus.
Por uma rua, já com as lojas quase todas fechadas, vimos um restaurante com um pátio recuado, quase escondido, com muito bom ar. Mais umas voltas e lá voltámos.
Tinha um ambiente calmo, acolhedor e alguns gregos também a jantar. Kipos Tis Pandroso. Não é assim dos nomes que mais fica no ouvido. Mas foi uma boa escolha para um dia que já ia bem longo e cansativo. Bem merecido um jantar num restaurante tranquilo e com boa comida.
Brindámos com um copo de vinho branco.
Depois de jantar mais um passeio para digerir o jantar. Subimos mais umas centenas de metros até à Praça Syntagma. Coração da cidade de Atenas e onde fica o Parlamento.
Primeira, achei que não estávamos no sítio certo. O edifício não me parecia o Parlamento. Ou seja, a ideia que eu tinha das imagens que conhecia do Parlamento. Mas estávamos no sítio certo.
Pouca gente ainda andava por aqui. Já eram perto das 23:00. Por sorte assistimos ao render da guarda. É outros dos motivos de visita a esta praça. Mesmo junto ao Parlamento estão, em permanência, dois guardas que prestam honras aos militares gregos mortos em combate.
Cada par de soldados fica uma hora de guarda. Ao fim de trinta minutos fazem uma coreografia com vários simbolismos relativos às guerras passadas. Ao fim de uma hora fazem o render da guarda, substituídos por outros dois militares. Este render da guarda tornou-se famoso, pelos trajes dos militares e pela coreografia peculiar usada.
Também mais dois eventos havia por aqui e mesmo no recinto onde estão os militares. Uma vigília por Gaza e uma vigília pelos cidadãos gregos, na sua maioria jovens que regressavam a casa, de comboio, em fevereiro de 2023 e que morreram num descarrilamento. Até hoje os gregos não estão satisfeitos com as justificações das autoridades. Rapidamente se apressaram a justificar com erro humano do condutor, mas parece que não terá sido só isso a contribuir para o terrível acidente. Familiares e amigos reúnem-se aqui todas as noites.
Já começa a ficar tarde. No caminho fomos dar novamente a Psyris. Pequeno bairro boémio e mesmo junto ao nosso hotel. O ambiente estava super animado. Já é meia-noite e mesmo muito cansaço acumulado. Decisão… bora lá ficar aqui um bocado e beber um copo. Limoncello para a Margarida, Aperoll para mim.
Numa esquina desta pequena praça e à porta de um dos restaurantes, três gregos cantavam e tocavam música típica grega super animada.
As mesas dos vários restaurantes já não estavam cheias, mas ainda com gente suficiente para mais uma hora de pura diversão.
De repente o cansaço chamou-me à razão. Era mesmo hora de descansar.


































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