Dia 11 | 28.04.2025 | Planeta Japão Osaka_Dubai_Lisboa
- Luis Bernardes
- 1 de mai. de 2025
- 6 min de leitura
Gatcha. Mais outro fenómeno que impressiona. Não é mais do que espaços, lojas com dezenas, centenas de máquinas em que pomos uma moeda e tentamos apanhar um peluche ou outro objeto qualquer. A isto chama-se Gatcha. Existem prédios inteiros só com estas máquinas. Confesso ter alguma dificuldade em entender este fenómeno na escala que existe por aqui. A principal marca de lojas é a GIGO. Nas lojas de maior dimensão também existe um piso para jogos arcade. Que nós jogávamos, no que chamávamos de Salão de Jogos, lá nos anos 80 do século passado. Aqui continuam a jogar com aquele barulho que nos faz estremecer o cérebro.
Normalmente nestas máquinas de Gatcha por-se uma moeda de 100 ienes. São 6 cêntimos. Nunca vi ninguém a conseguir sacar um peluche, mas ainda ouvi, lá ao fundo alguém a gritar com um grito de quem tinha conseguido enganar a máquina. Experimentem, não é grande o prejuízo e podem sentir-se verdadeiros locals.
Ultimo dia no Planeta Japão. Este dia vai ser mesmo até ao fim do ultimo minuto do dia 28 de abril. A saída será às 23:45h. Temos assim um dia inteiro para passear por Osaka. Hoje, sem planos, sem visitas programadas, sem guia. Só mesmo por nossa conta. Combinámos levantar um pouco mais tarde. Às 08:30h, a loucura total. Pequeno almoço tratado, malas feitas e um pouco depois das 10:00h saímos com algumas ideias, mas sem certezas do que fazer.
Primeiro fomos até à zona comercial de Shinsaibashi. Esta é a zona das grandes lojas, edifícios de lojas departamentais, estilo Corte Inglês, e com muitas ruas interiores típicas do Japão e que já vos falei, provavelmente, vezes demais :). O objetivo era ir ao Pokémon Center de Osaka. Não tinha noção da importância que o universo Pokémon tem no Japão e no mundo. É mesmo impressionante. Os jogos do Pokémon são os mais vendidos do mundo. Eram 11:00h da manhã quando lá chegamos. Fica no Daimaru Department Store. Cheio de lojas de luxo e ao lado lojas do universo Anime e Manga. Como uma loja dedicada somente aos estúdios Ghibli.
Voltando ao Pokémon, a loja não é gigante, mas com tudo o que tem a ver com este universo de bonecos. Sete ou oito caixa registadoras e sempre a faturar. Impressiona a cultura de consumo dos japoneses. Em tudo, não só neste tipo de lojas. Esta loja tem a particularidade de ter também um café Pokémon. Mesmo às 11:00h para conseguir mesa tem de se ter reserva. Não tendo reserva existe uma fila, como tanto gostam, que havendo desistências podem ocupar esses lugares das desistências.
Ok, chega de Pokémon. O dia está feio, cinzento e já chove. Não muito intenso, mas o suficiente para abrir o guarda-chuva. Curiosidade, a grande maioria das pessoas usa guarda-chuvas transparentes e também, de repente, os turistas, japoneses ou não, desataram a comprar guarda-chuvas transparentes. É um mar de transparência. Decidimos ir até ao jardim do castelo de Osaka. Já ali tínhamos estado, mas achámos que valia a pena um passeio mais demorado e ver o santuário xintoísta que só tínhamos visto de raspão.
De metro até ao Castelo são uns 20 minutos. Saídos do metro e a chuva estava mais intensa, não dava para grandes passeios. Como já era hora do almoço e mesmo perto do castelo existe um restaurante fizemos aí o nosso almoço. Se quiserem ter um almoço mais calmo e num sitio com algum requinte, mas não muito caro, recomendo. É um edifício de alguma dimensão a 50 metros do castelo. Impossível enganar. The Landmark Square. Tem 2 restaurantes. Um bufet e o outra à carta. O segundo é muito caro. O bufet não é extraordinário, mas ótimo, bom o suficiente. Sitio com muito bom gosto e supertranquilo. Deu uns 20€ por pessoa.
Entretanto a chuva estava cada vez mais intensa. Não dava para passear. Ok, vamos então ao Museu de Arte Moderna de Osaka. O nome mesmo é Nakanoshima Museum of Art. É conhecido por Nakka. E ainda bem que fomos. Só o edifício só por si merece uma visita. Então para quem é arquitetura deve adorar este sitio. Tem 5 pisos. O 4º e o 5º pisos para exposições. Neste momento tem duas exposições Neste momento tem duas exposições. Uma sobre a Capcom, uma empresa de videojogos e outra de uma artista japonesa - Uemura Shoen, para celebração dos seus 150º aniversário. Escolhemos o Capcom.
A exposição é mesmo muito boa. Mesmo para alguém como eu que pouco percebe do mundo dos videojogos. Faz a cronologia desde o primeiro jogo, nos anos 80 até hoje. Explica a evolução dos desenhos, da tecnologia, de tudo o que envolve este mundo, até aos dias de hoje. Se vierem a Osaka até 22 de junho visitem este museu e esta exposição que vão gostar.
Descemos até ao café do museu. Esperámos que a chuva abrandasse, mas só aumentava. Queríamos acabar a estadia em Osaka onde começámos. No café onde nos despedimos do Toshio, mesmo no coração de Dotombori. Mesmo perto do placad do Glico. Taxi e lá chegámos. Ainda eram 17:00h. Dava para estarmos bem à vontade a beber um chá, comer um maravilhoso bolo de morango. Desta vez e par a despedida fiámos numa mesa com vista para o rio. Aos poucos a chuva abrandou até que parou mesmo. O céu estava com umas cores entre o cinzento e o dourado. Rapidamente as ruas encheram-se de milhares de pessoas. Os barcos que uns minutos antes passavam vazios ficaram lotados.
Chegou a hora de voltar ao hotel e apanhar o nosso transfere para o aeroporto. No caminho para o aeroporto somos surpreendidos pelas noticias do apagão. Mesmo muitas mensagens recebemos. Depois já no avião conseguimos ver a CNN Internacional e a BBC em direto. Passam noticias do nosso pais. Mais tarde e ainda antes de chegarmos a Portugal saberíamos que o pior já tinha passado e já o apagão se foi. Já é dia 12 da viagem e agora já no Dubai. Mais umas horas e estamos em casa.
Passadas 2.335 fotografias chegámos ao fim da viagem.
Foi uma grande viagem. Correu tudo bem, quase não perdi nada, gastei menos dinheiro do que esperava. O Gonçalo foi me guiando pelas ruas e um grande companheiro. Sempre positivo e com paciência para aturar as coisas de um Pai.
A vida no Japão é mais barata do que pensava. E com algum rigor e escolhendo os sítios certos conseguimos refeições por 10€ e até menos como vos contei. Toda a gente me disse que ia adorar. Acertaram. Gostei da eficiência, acertividade deste povo. Dos automatismos das casas de banho, dos taxis e tudo o resto. O metro, o comboio bala, a forma como estão organizados.
Esperava ver mais robots em restaurantes e pelos hotéis. Mas ainda vi alguns e felizmente os humanos ainda cá andam, mesmo neste planeta e continuam a ser úteis usando a massa cinzenta de que somos feitos.
Só mais algumas dicas para além das que já fui dando.
Utilização do maps da apple ou dos mapas da Google. Estas apps fazem toda a diferença. Usem e abusem. Torna-nos a vida muita mais fácil. Tanto nos passeios a pé como no metro. Não falham.
Dinheiro. Ainda é necessário usar, embora cada vez em menos sítios, mas é sempre necessário. Já não o fazia há muitos anos, mas acabei por comprar ienes ainda em Portugal. Numa loja Unicâmbio em Lisboa. A razão foi somente que as taxas são inferiores. Levei cerca de 400€ em ienes. Chegou.
Revolut. O melhor amigo da viagem. Quase tudo pago com esta app. ))% dos sítios aceitam Revolut.
Cartão SUICA. Já vos falei, só para reforçar. É maravilhoso para os transportes e também pode ser usado em restaurantes, lojas, etc.
Comboios - nunca falham. É fácil perceber qual a plataforma, linha, carruagem, mas o melhor é chegar uns 20 minutos antes para não terem stress.
Arigato gozaimasu. É o muito obrigado. Usem e abusem desta expressão. Os japoneses vão gostar.
Não são perfeitos, não é o paraíso. São, desde pequenos, ensinados a serem formatados e a terem procedimentos para tudo. Isso tira-lhes alguma capacidade de improvisar quando é necessário. Mas é um povo muito educado, afável e delicado.
A forma como tratam a natureza impressiona. Para quem não liga a plantas, árvores, aqui fica a gostar. Por todo o lado existem espaços verdes, mesmo nas grandes cidades. Cada simples árvore é uma obra de arte. As cores, por esta altura são de um verde que parece pintado. Ainda chegámos a ver bastantes cerejeiras em flor. Em qualquer altura do ano as corres da natureza são incríveis.
Os primeiros 6 dias foram difíceis. O jet leg não me queria largar. Queria escrever ou simplesmente estar acordado e ainda cedo por e simplesmente adormecia. Apagava-me. Depois passou e já consegui não estar zombie.
Tanto havia mais para escrever sobre este Japão. Fica a muita vontade de voltar. Veremos.E, sim, faz sentido chamar-lhe Planeta Japão. Estamos noutro planeta. Chegou a altura de regressar ao Planeta Tuga.
Até um dia.


























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